RESTAURAÇÃO IGREJA SANTA EFIGÊNIA comente aqui

Neste sábado, 10 de maio de 2014, a Igreja de Santa Efigênia reabriu suas portas. Durante 6 anos, ocorreram intervenções importantes para restauração do monumento histórico e religioso. A obra teve o apoio da Prefeitura Municipal, da empresa VALE e do IPHAN. A população da cidade compareceu à festa, que contou com uma missa solene presidida pelo Arcebispo da Arquidiocese de Mariana. As fotos a seguir, tiradas pelo companheiro Leonardo, dão uma idéia da solenidade e tentam mostrar a beleza do acervo preservado. O texto a seguir foi retirado do site do IPHAN, e apresenta algumas considerações significativas sobre o templo.

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A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos da Freguesia de Antônio Dias foi ereta na Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, no ano de 1717, mudando-se alguns anos mais tarde para a capela do Alto da Cruz do Padre Faria. Segundo a tradição, existiu no local anteriormente uma ermida dedicada a Santa Efigênia, razão pela qual a atual igreja conserva as duas denominações. Segundo consta, a atual Igreja de Santa Efigênia foi construída no ano de 1733, no mesmo local da primitiva capela do Alto da Cruz do Padre Faria. As obras foram arrematadas naquele ano por Antônio Coelho da Fonseca e prolongaram-se até 1785, conforme data inscrita na peanha da cruz que encima o frontão da fachada. Vários outros nomes aparecem no Livro de Receita e Despesa da Irmandade (1733-1780), mas a participação dos mesmos nas obras é difícil de precisar por insuficiência de dados. Entre eles figura o nome de Manuel Francisco Lisboa, como responsável por diversas vistorias da obra e ainda como um dos principais fornecedores de madeira. Segundo o mesmo documento, cabe a Manuel Francisco Lisboa a execução das grades, madeiras e assento, juntamente com Antônio da Silva, em 1743-1744. Entre 1762 e 1767, os pedreiros Henrique Gomes de Brito e João da Rocha concluíram a obra de cobertura do edifício, realizando também, o primeiro, serviços no arco-cruzeiro e torres da fachada. A decoração interna da igreja iniciou-se em 1747-48, provavelmente pelos dois altares da nave próximos ao arco-cruzeiro. O entalhador Francisco Branco de Barros foi o autor do risco dos altares e responsável pela administração da obra. No mesmo período, trabalharam também nas obras de talha da igreja Francisco Xavier de Brito e Manuel Gomes da Rocha na parte estatuária. Quanto à capela-mor, sabe-se que, em 1754, Felipe Vieira executou trabalhos no forro, sendo mencionado dois anos mais tarde como um dos principais arrematantes da obra de talha, juntamente com Jerônimo Félix Teixeira. Referências de pagamentos aos dois artistas indicam que, em 1767, ainda trabalhavam na igreja na fatura de uma série de castiçais de madeira para os altares da nave e capela-mor. Ao que tudo indica, as obras realizadas entre os anos de 1777 e 1780 se concentraram na fachada do templo, ocasião em que também se concluiu a escadaria fronteira, cuja conclusão definitiva remonta ao ano de 1785. No decorrer do século XIX, a igreja passou por obras de reforma e restauração, algumas delas descaracterizantes, como a de 1894-1896 que consistiu na repintura da talha da capela-mor, de dois quadros a óleo e de imagens de madeira. Também no corpo da igreja, as paredes, tarja, púlpitos, tapavento e teto receberam pintura a óleo branca. Na década de 60 deste século, foram realizadas obras de restauração pelo IPHAN que consistiram na remoção das repinturas sucessivas e recuperação da pintura original dos painéis laterais da capela-mor (Manuel Rabelo de Souza) e dos forros da capela-mor, corpo da igreja e sacristia. Quanto à talha a dos altares, a solução foi eliminar a pintura nova, deixando uma espécie de decapê, visto que a pintura original não mais existia. Assinala Germain Bazin que a planta da igreja de Santa Efigênia (talvez de autoria de Manuel Francisco Lisboa) pode ser considerada como uma simplificação da planta tradicional, visando à obtenção de formas mais elegantes e funcionais. A supressão dos corredores laterais ao longo da nave e a projeção lateral das torres da fachada, já denunciam um período de evolução da arquitetura religiosa mineira. No frontispício a decoração é marcada por um nicho abrigando a estátua de Nossa Senhora do Rosário. e um óculo trilobado que, segundo Germain Bazin, seria fruto de um arranjo posterior, provavelmente da última etapa construtiva da igreja. Internamente a igreja compõe-se de quatro altares, sob a invocação de Santa Rita, Santo Antônio Noto, São Benedito e Nossa Senhora do Carmo. Os dois primeiros, em estilo D. João V, caracterizam-se pela riqueza e profusão de detalhes. Já os dois altares próximos ao arco-cruzeiro, assim como o altar-mor, pertencem ao estilo “Brito” e revelam maior preocupação arquitetônica, evidenciando a trama estrutural, organizada em função tribuna central. Destacam-se ainda dois magníficos painéis a óleo representando São Domingos e São Francisco orando aos pés de Cristo, dispostos nas paredes da capela-mor.

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