Instituto Martius Staden

Nosso companheiro e professor do Departamento de Engenharia Ambiental da Escola de Minas da UFOP, Hubert Mathias Peter Roeser, participou do lançamento do Anuário Martius-Staden n.61, edição dedicada à vida e à obra do eminente historiador do século XIX, Francisco Adolfo von Varnhagen, Visconde de Porto Seguro (pai da História do Brasil), em seu bicentenário de nascimento. O lançamento aconteceu no último dia 29 de setembro, na sede do Instituto Martius-Staden em São Paulo. Neste anuário, Hubert publicou o artigo “Contribuições alemãs às geociências em Minas Gerais na segunda metade do século XX”.  O artigo apresenta um panorama sobre a participação de cientistas alemães no desenvolvimento da geologia em Minas Gerais, destacando a importante participação desses estudiosos no descobrimento e pesquisa de materiais mineralógicos em nosso estado.

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O Instituto Martius-Staden de Ciências, Letras e Intercâmbio Cultural Brasileiro-Alemão é uma entidade de utilidade pública sem fins lucrativos mantida pela Fundação Visconde de Porto Seguro. O Instituto localiza-se na zona sul da cidade de São Paulo (SP), tendo suas instalações dentro do Colégio Visconde de Porto Seguro – Unidade Panamby.

O nome “Instituto Martius-Staden” faz menção a duas importantes figuras históricas: Hans Staden, o primeiro autor a publicar um relato extenso sobre o Brasil (a “Historia Verídica”, 1557), e Carl Friedrich Philipp von Martius, naturalista e botânico, autor de obras como “Viagem pelo Brasil”, “História Naturalis Palmarum” (produzida entre 1823 e 53) e o compêndio monumental “Flora Brasiliensis” (1840 e 1906).

As atividades do Instituto destinam-se a fomentar o intercâmbio cultural entre o Brasil e países de língua alemã, como a Alemanha, a Áustria e a Suíça. A principal atuação do Instituto Martius-Staden é manter acessível ao público em geral um dos mais importantes acervos sobre a imigração dos povos de língua alemã para o Brasil, formado por documentos, jornais, livros, mapas, fotografias e outros materiais (mais de 150.000 documentos e dados biográficos sobre mais de 90.000 pessoas). Possui um setor de publicações, que edita o Anuário Martius-Staden desde 1953, assim como outras publicações voltadas ao escopo do trabalho do Instituto. Na área de eventos, promove concertos, exposições, cursos e palestras. Para ampliar o alcance de suas atividades, o Instituto mantém parcerias com várias instituições culturais e de pesquisa no Brasil, na América Latina e em países de língua alemã.

As atividades do Instituto Martius-Staden remontam ao começo do século XX. Em 1925, os professores alemães da Deutsche Schule – conhecida então como Olinda Schule e que porta hoje o nome de Colégio Visconde de Porto Seguro – iniciaram um arquivo de documentos acerca da história dos alemães em São Paulo. A partir de 1938, este arquivo foi mantido pela Sociedade Hans Staden que, a partir de 1947, passou a se chamar Instituto Hans Staden. Criada em 1951 como entidade sem fins lucrativos, a Fundação Martius contribuiu desde então para sustentar o Instituto Hans Staden. Em 1997, a Fundação Visconde de Porto Seguro incorporou o Instituto Hans Staden e a Fundação Martius, criando o Instituto Martius-Staden que agora, sob este nome, dá continuidade ao trabalho que vem sendo realizado há décadas.

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O primeiro Staden-Jahrbuch foi publicado em 1953 pelo antigo Instituto Hans Staden. Seu editor foi Egon Schaden, descendente de alemães nascido em Santa Catarina, que possuía a cadeira de Antropologia na Universidade de São Paulo (USP). Sua introdução para o primeiro volume do anuário começa com as seguintes palavras:

“O Staden-Jahrbuch tem o objetivo de oferecer uma visão do Brasil e se dirige ao leitor de língua alemã. O anuário só leva em consideração temas que tratem do Brasil, do país e de seu povo, uma limitação que logo traz à tona uma unidade entre o variado material apresentado” (Staden-Jahrbuch, v. 1, 1953, p. 5).

Também é salientado o fato de que se almeja reunir textos com abordagens profundas e competentes, mas ao mesmo tempo escritas em linguagem compreensível para o público geral, um postulado que ainda vale até hoje, depois de mais de 50 anos.

A língua alemã no anuário tem sido mantida através das décadas quase sem exceção. Desde alguns anos, contudo, textos originais em português também têm sido incluídos, com o que se pôde ampliar o público alvo da publicação entre os falantes da língua portuguesa. O anuário do Instituto Martius-Staden é consultado em Publicações universitárias e científicas e está entre as principais publicações no campo da pesquisa latino-americana.

A temática do anuário vai além dos estudos brasileiros e trata dos diversos assuntos do intercâmbio cultural teuto-brasileiro. Entre eles se destaca a história da imigração alemã, conforme o campo geral das atividades do atual Instituto Martius-Staden, cujo cerne constitui uma vasta coleção de Publicações e um singular Anuário relacionados ao tema.

Os principais autores do anuário ao longo de sua história têm sido: Karl Heinrich Oberacker, Karl Fouquet, Anatol Rosenfeld, Helmut Andrä, Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Roger Bastide, Wolfgang Bücherl, Arnold von Buggenhagen, José Francisco Camargo, Erwin Theodor Rosenthal, Egon Schaden, Helmut Sick, Hildegard Fauser, Gert Kohlhepp, Karen M. Lisboa, Berthold Zilly e outros. Agora, o anuário conta também com a contribuição do companheiro Hubert Roeser.

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Fonte de consulta: www.martiusstaden.org.br

 

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